ERIKA TAMURA: Conselho de Cidadãos

 

No último sábado, dia 25, participei pela segunda vez em Tóquio da reunião do Conselho de Cidadãos, com o tema: trabalho.

O encontro visa discutir a situação atual do trabalhador brasileiro no Japão, e a tendência de mercado para o futuro, e com isso sanar algumas lacunas para evitar algo prejudicial ao futuro dos brasileiros que vivem no Japão.

É importante ressaltar que o mercado de trabalho tende a priorizar a mão de obra asiática, como chineses, que além do baixo custo tem outras vantagens em relação a mão de obra brasileira.

Na minha opinião, essa reunião é muito válida, sem contar que o fato da comunidade poder contar com líderes participativos e engajados numa luta de causa social, é muito proveitoso. Vale ressaltar que o Conselho de cidadãos é presidida pelo cônsul brasileiro, da jurisdição de Tóquio, Ministro Marco Farani, e sendo sub presidida por Arthur Muranaga, presidente da IPC TV. São nomes importantes que podem fazer a diferença dentro de qualquer luta na comunidade, isso faz com que os brasileiros tenham voz e possam reivindicar direitos adquiridos e que por falta de informações ou conhecimentos acaba sendo deixado de lados.

Um exemplo disso é que nessa última reunião contamos com a presença de Hebert Luiz Gomide Filho, presidente da Caixa no Japão (Caixa Econômica Federal), que explicou detalhadamente como é possível solicitar o saque do FGTS para os trabalhadores brasileiros que moram no Japão, desde que tenha trabalhado por uma periodicidade com carteira assinada no Brasil. Volto a falar sobre isso num próximo artigo, explicando detalhadamente, e com palavras do próprio Hebert para maior entendimento de todos.

O curioso é que o tema em pauta na reunião é trabalho, mas sempre acaba caindo em um ponto: Educação. E aí chega num assunto que torna-se redundante para quem lê meus artigos, pois insisto em bater nessa mesma tecla sempre, educação como base de tudo.

Foi discutido sobre a viabilidade da qualificação da mão de obra brasileira, e eu concordo, aliás concordo muito e assino em baixo de tudo o que foi dito, como por exemplo: apenas com a qualificação da mão de obra é que será viável a ascensão na pirâmide social. Mas aí deparamos com um outro problema, será mesmo que a comunidade tem interesse em se qualificar?

Pois fala-se em trabalhos em fábricas como a última opção para os decasséguis, mas existe um número considerável de brasileiros que estão satisfeitos em trabalharem nas fábricas, e totalmente acomodados com isso. Por isso acho importante o Conselho de Cidadãos oferecer condições, ou caminhos para quem queira realmente sair da fábrica e ter uma qualificação, e ao mesmo tempo cuidar com um amparo legal daqueles que optarem por se manterem nas fábricas.

O trabalho do conselho está longe de se chegar ao fim, mas já está no caminho, afinal melhor do que apenas pensar, é pensar e colocar em prática tudo o que fora pensado.

A única ressalva que tenho a fazer, é que poderia ter alguém que trabalhe em fábrica ali para poder dar a sua opinião, pois nada melhor do que ouvir alguém que está vivenciando na prática tudo o que está sendo debatido. Sei que tem uma minoria ali que não faz ideia do que é trabalhar em fábrica, não conhece o cotidiano real de um dekassegui, por isso emitem opiniões na maioria das vezes sem fundamento nenhum. Ficar atrás de um computador, emitindo opiniões subjetivas e recebendo “ajuda” do governo japonês é fácil, queria ver se realmente são capazes de trabalhar numa linha de montagem, como o próprio Jhonny Sassaki, apresentador da IPC TV disse, trabalho repetitivo por 12, 14 horas, e sem perspectiva de sair dali.

Estou ali captando todas as informações e como uma esponja, absorvo todo o tipo de conhecimento, mas quando necessário opino também, afinal, trabalhei em fábrica e por força de vontade própria quis mudar a minha realidade. O que não difere em nada de nenhum dos conselheiros ali presentes, pois todos têm uma história pessoal a ser apresentada e digna de uma página nesse jornal.

 

 

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 

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One Comment

  1. Parabéns Erika, gostei do assunto, isto me lembra de um episódio.
    Há muito tempo atrás veio um representante do Sebrae e fez uma reunião de empresários em Oizumi, e falou que o Brasil estava excelente com muitas oportunidades para quem estivesse interessado em retornar ao Brasil, eu solicitei o direito a palavra e falei que o mais interessante seria ele fazer uma reunião para comunicar que o Sebrae tinha interesse em trazer cursos de qualificação para os trabalhadores residentes no Japão, ou seja, preparar o trabalhador brasileiro no Japão para conseguir uma acensão social através da qualificação mesmo estando aqui no Japão e não só quando retornasse ao Brasil.
    O primordial realmente é a EDUCAÇÃO, aconselho os pais a colocarem seus filhos em escolas japonesas se querem introduzi-los dentro da sociedade japonesa, se não o fizer infelizmente seus filhos terão poucas chances de vencer no Japão, e pela qualidade baixa de ensino de muitas escolas brasileiras no Japão não conseguirão vencer no Brasil, onde milhares estudam em escolas particulares e publicas com nível alto de ensino. No Japão não culpo só as escolas por não conseguirem melhorar o nível de ensino, encontrar professores qualificados para dar aulas é uma tarefa muito difícil aqui no Japão.
    A chave de tudo é a EDUCAÇÃO para os filhos e QUALIFICAÇÃO para os pais para quem vive no Japão.

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