JUNTOS!: Organizadores de festivais japoneses participam de programa de intercâmbio

Inspirado no discurso feito pelo primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe sobre a diplomacia japonesa para a América Latina e Caribe durante a sua visita a São Paulo, em agosto de 2014 – “Progredir juntos, liderar juntos e inspirar juntos”, o governo japonês lançou, em 2016, o Programa Juntos!! Intercâmbio Japão-América Latina e Caribe. Com o objetivo de aprofundar as relações entre os países e oferecer oportunidade para o intercâmbio de opiniões com alto escalão do governo e formadores de opinião daquele país, além de apresentar o Japão atual aos participantes, o governo daquele país patrocinou a viagem de empresários, políticos e especialistas de diversas áreas em 2016 e 2017.

 

Organizadores de festivais japoneses participam de intercâmbio no Japão. Foto: divulgação

 

Este ano, foi a vez de organizadores de festivais japoneses receberem convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão para participar de programa semelhante, inclusive com a mesma denominação: Juntos!.

A ideia, explica Toshio Ichikawa, presidente do 21º Festival do Japão organizado pelo Kenren (Federação das Associação de Províncias do Japão no Brasil) é fortalecer a cultura japonesa e os laços entre os países participantes através dos festivais do Japão, buscando, para isso, um melhor entrosamento entre os organizadores dos vários países da América Latina e do Caribe.

O primeiro grupo, formado por 24 pessoas, sendo 14 brasileiros, chegou ao Japão no dia 28 de janeiro e retornou no último dia 4.

 

Em Katsuura: programa contou com a participação de 14 brasileiros de diferentes localidades. Foto: divulgação

 

Nesse período, os participantes – incluindo representantes do Chile, Argentina, Bolívia, Paraguai e México – estiveram em Tóquio e Chiba, onde visistaram e conheceram organizadores de festivais que têm em comum os desafios e as dificuldades para colocar em prática  iniciativas cujo objetivo final é sempre o mesmo: preservar a cultura japonesa.

Do Brasil, além de Toshio Ichikawa, participaram Dilson Kaneji Tsunoda (da Associação Cultural Nipoo-Brasileira de Registro); Murilo Macedo (do Governo do Estado de São Paulo); Mayumi Seto Takeguma (do Nikkei Curitiba); Acacoio Secci (da Prefeitura Municipal de Assaí); Jorge Matsubara (da Associação Cultura Nipo-Brasileira de Anápolis); Helder Fadul Bitar (Animazon); Marcos Matsunaga Yamaguti (Misse Produtos Orientais); Akemi Elisa Ueno (Festival do Japão do Rio Grande do Sul); Marcelo Eiti Banja (Associação Nikkei do Rio de Janeiro); Silvana Harumi Nagai (Associação Nagai); Pedro Lucas Santos de Figueiredo (Comissão da Feira Japonesa de Recife); Samuel Issac Espinoza Facanha (Associação Cultural Brasil-Japão da Paraíba) e Willians Agnoletto Lopes (São Paulo GL Events).

 

Participantes conheceram peculiaridades das danças japonesas. Foto: divulgação

 

O roteiro incluiu visitas e atividades no Centro de Conferências TKP (Estação de Tóquio Nihonbashi), Visita ao Santuário Asakusa, Comitê Executivo do Asakusa Samba Carnaval, Intercâmbio com os grupos de de taiko Kodo e de danças Geimaruza e Edo Kappore, intercâmbio com os organizadores do festival de comidas típicas; Intercâmbio de Vivência com com o Comitê Executivo do Festival de Bonecos de Katsuura e com os coordenadores do Festival de Lanternas de Bambu.

“Foi uma viagem bastante produtiva”, disse Willians Lopes, que ficou particularmente interessado com o Matsuri Turismo, cuja ideia é trabalhar com a falta de recursos de  cidades com poucos habitantes utilizando turistas para manter viva os costumes e tradições locais.

 

Toshio Ichikawa e Willians Lopes. Foto: divulgação

 

Para Ichikawa, ficou claro que o Festival do Japão organizado anualmente pelo Kenren “serve de modelos para outros países”. Segundo ele, não é nenhum exagero afirmar que o Festival do Japão atingiu um grau de profissionalismo e que hoje está um nível acima dos demais.

Para isso, Ichikawa costuma explicar que o Festival do Japão conta com patrocinadores, não com doadores. “Existe uma diferença muito grande porque patrocínio é quando as empresas colocam sua marca em um evento que considera estar a sua altura. E hoje, podemos dizer que asseguramos um valor de mercado e estamos no mesmo nível das grandes empresas japonesas”, disse Ichikawa, acrescentando que “chegamos a um ponto em que nosso problema não é mais pedir dinheiro ao Japão”. “Hoje precismos descobrir como o governo japonês pode nos ajudar”.

 

 

No encerramento do programa de intercâmbio. Foto: divulgação

 

Omotenashi – “Muitos dos participantes do programa ficaram surpresos ao falarmos de termos como cultura empresarial, omotenashi e e mottainai”, conta Ichikawa, revelando que o Festival do Japão deste ano, além de receber a cerimônia oficial dos 110 Anos da Imigração Japonesa – com a possível visita da princesa Mako – pode também entrar para o Guinness World Records, o livro mundial dos recordes como a maior mostra de culinária japonesa do mundo. Para isso, o festival está trabalhando firme para apresentar os 550  pratos exigidos pelo Guinness. “Já temos cerca de 300”, afirma Ishikawa, explicando que teve oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a organização do Carnaval de Asakusa.

“Trata-se de um evento que surgiu para revitalizar o bairro de Asakusa e hoje atrai cerca de 2 milhões de turistas contando, para isso, com o trabalho de voluntários”, disse Ishikawa, que destacou ainda o trabalho do grupo de taiko Kodo, que já esteve no Brasil e é cotado para participar das comemorações dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil. Os cerca de 30 integrantes, que já se apresentaram em mais de 50 países – no Brasil tocaram com o Timbalada e o Olodum – ficam reclusos na ilha de Sado, na província de Niigata. “Lá deles aprendem não só a tocar como também a produzirem seus próprios instrumentos, aprendendo a viver em comunidade”, conta Ichikawa, afirmando que viu no programa de intercâmbio uma oportunidade para motivar ainda mais a participação de jovens voluntários, um dos grandes diferenciais do Festival do Japão.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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