LITERATURA: Gilberto Yoshinaga imortaliza o pai do Hip Hop no Brasil, Nelson Triunfo

Nelson Triunfo e Gilberto Yoshinaga (foto: divulgação/Arquivo Pessoal)

 

O jovem Nikkei Gilberto Yoshinaga, jornalista apaixonado e fascinado por histórias e por cultura em geral, com uma predileção especial pela música, sobretudo a música negra, que vai do jazz e soul ao funk de raiz (que é bem diferente do “funk” da atualidade), passando por reggae e, finalmente, o rap. Amante de cultura hip hop desde os nove anos de idade, Gilberto nasceu em Mogi das Cruzes no interior paulista, trabalhou como repórter correspondente no Japão, teve dois textos premiados pela Academia Brasileira de Letras (ABL) e possui histórico de diversas colaborações com veículos especializados em hip-hop. Fez uma pesquisa profunda sobre Nelson Triunfo e o Hip-Hop, percebe a quão rica e valorosa é a cultura brasileira, sobretudo a nordestina na vida e na arte do imortal pai do Hip Hop brasileiro, contada por ele no livro “Nelson Triunfo do Sertão ao Hip Hop”.

Em entrevista ao Jornal Nippak, Gilberto Yoshinaga revela como quando começou sua trajetória literária. “Aprendi a ler e escrever quando tinha entre quatro e cinco anos de idade, e sempre gostei muito de ler e escrever. Aos seis de idade escrevi um livreto infantil que nunca foi publicado e, com o tempo, perdi o texto original”, diz. “Quando tinha entre 19 e 20 anos, fui duas vezes tomar chá com os imortais e receber duas premiações literárias na Academia Brasileira de Letras (ABL). Naquela época eu até imaginei que, um dia, poderia almejar uma cadeira lá, mas acho que era devaneio da minha juventude. Atualmente, não ligo para esse tipo de coisa”, comenta Yoshinaga.

Capa do livro (foto: divulgação/arquivo pessoal)

“Acho que o melhor reconhecimento vem de meus leitores, das pessoas que cruzam comigo no dia-a-dia. E convenhamos que a ABL, que foi fundada por Machado de Assis (na minha opinião, o maior escritor de língua portuguesa da História), hoje se tornou uma instituição mais política do que cultural. Prova disso é o fato de José Sarney ter uma cadeira lá, assim como Roberto Marinho também teve uma – duas pessoas que nada significam para a nossa literatura a ponto de merecerem posto tão seleto”, critica a Academia Yoshinaga.

Para Gilberto a ideia de escrever um livro sobre Nelson Triunfo surgiu em um sonho, e ficou martelando em sua cabeça. Ele só resolveu encarar a missão porque Nelson Triunfo possui uma fantástica história artística e de vida, que merece ser registrada e perpetuada. Começou a pesquisa em junho de 2009 e, nessa caminhada, teve problemas pessoais, financeiros e de saúde. Achava que terminaria o livro em menos de dois anos, mas precisou de quase cinco anos para isso.

“Foi muito difícil, também, por se tratar de um projeto pessoal, feito com poucos recursos – por exemplo, para viajar aos lugares em que Nelson Triunfo morou (Pernambuco, Bahia, Distrito Federal e Rio de Janeiro, além de São Paulo). Mas tudo o que é mais difícil acaba tendo um gosto especial, acaba sendo mais compensador quando a missão é cumprida”, confessa. “Nesses 55 meses de trabalho, percorri mais de 16.000 km em pesquisas, fiz quase 60 entrevistas e tive muita dificuldade, também, porque a cultura hip-hop brasileira ainda carece de registros históricos que pudessem servir de referência. Espero que este livro possa ser referência para outros autores, estudos e pesquisas que ajudem a registrar e perpetuar a história da cultura de rua e seus valores”, declara o jornalista.

‘Nelson Triunfo do Sertão ao Hip Hop’ sendo seu primeiro livro de fato, Yoshinaga revela um dos propósitos da obra é celebrar e homenagear Nelson Triunfo em vida. “Nós, brasileiros, ainda temos o péssimo hábito de ignorar muitos de nossos heróis em vida, ou dar preferência a culturas estrangeiras”, admite. “Acredito que a importância do meu livro está no fato de ser o único registro escrito de uma história bonita e exemplar, e desta forma seus valores podem ser perpetuados. E também quero quebrar certos estereótipos negativos que existem em relação ao hip-hop e mostrar como essa cultura é rica e transformadora”, destaca o autor.

 

Nelson Triunfo e Gilberto Yoshinaga (foto: divulgação/arquivo pessoal)

 

De acordo com Gilberto o livro é uma espécie de declaração de amor à cultura do Hip Hop e ao Nelson Triunfo. Mas, mais do que isso, é também um documento de uma cultura que sempre foi muito discriminada, que ainda sofre perseguições ou boicotes, e tem valores muito positivos e importantes para transmitir à juventude. “E, como mencionei, é também uma forma de reconhecer e homenagear o que Nelson Triunfo fez e faz pela nossa cultura. Mesmo sendo amante do Hip Hop, procurei ao máximo deixar de lado minhas predileções pessoais para fazer um trabalho o mais imparcial possível, deixando o julgamento de valores a cargo de cada leitor”, garante Gilberto.

Para não desanimar e terminar o livro, Yoshinaga driblou os problemas financeiros para desenvolver a pesquisa, devido ao fato de se tratar de uma iniciativa 100% independente, e também teve problemas pessoais durante o projeto, como a perda de seu pai. Mas sempre viu a tarefa de escrever este livro como um desafio, uma missão isso o motivou a não desanimar, por mais dificuldades que surgissem no caminho.

(Luci Júdice Yizima)

 

 

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