SILVIO SANO > NIPÔNCA: Márcia, da Tatuapé!

Nesta Nipônica pretendia abordar sobre Carnaval e sua relação alienante com a população. Tanto que, já na segunda feira, ao trocar a foto de capa de minha rede social lamentei ter de substituir a atual, das crianças perfiladas com troféus nas mãos do Paulistão de Karaokê, pela da minha cruzada em prol do Brasil, do Lula à prisão, à qual dei o título de “Cana, Vai!” em alusão, lógico, ao Carnaval!

O escopo, portanto, seria esse e da memória curta que “baixa” em nossa sofrida (?) população nessa época. A respeito disso, na mesma rede social, não faltaram posts e comentários associativos em referência à comparação das multidões nos blocos de rua com as das manifestações políticas (?) por todo o país. Isso, porque estamos em plena crise econômica, com recorde de desempregados!

“Só mesmo neste país!”, justificaríamos em uníssono, porque concordamos que já se trata de algo inerente no sangue do brasileiro e que justifica, até o Impeachment de Dilma, não termos tido nenhum outro governo derrubado pelas ruas. Collor caiu pela mídia que induziu estudantes e população às ruas, somado a nenhum apoio no Congresso.

Se apenas metade dessa vibração do Carnaval fosse igualmente descarregada sobre nossos ineptos políticos às reivindicações cotidianas dessa mesma população, o país estaria em muito melhor condição, com certeza. Ou seja, a população não percebeu a força que tem nas mãos… e não apenas nos pés!

Pois bem, estava prestes a destrinchar o tema quando soube que a GRES Acadêmicos do Tatuapé tinha vencido o Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. O que isso tem a ver comigo que não sou muito chegado à festa e ainda faço esse tipo de objeções?

A razão está em minha amiga, Márcia Matsuo, talvez a única nikkei participante nessa escola. “Três anos atrás, quando desfilei pela primeira vez por essa escola ainda estavam o Ricardinho e a Rosa, mas não mais vieram”, contou-me. Na primeira vez pela Tatuapé, a escola ficou em 12º lugar; no ano seguinte, foi vice-campeã; e neste chegou ao auge pela primeira vez na história. Sem contar que na única vez que desfilou pela Mocidade Alegre, a escola foi também campeã pela primeira vez. Pé quente?

“Não sei. Mas que o começo deste ano tá bom pra mim, tá!”, contou felicíssima, referindo-se ao fato de também pela primeira vez ter chegado à final em sua categoria no Paulistão de Karaokê. Aliás, o karaokê é outra das inúmeras modalidades que pratica e, todas, com muita dedicação. Por isso, segundo me contaram, sua fantasia saiu de graça… por não ter faltado a nenhum ensaio. Essa é a Márcia!

Incansável secretária da UPK (União Paulista de Karaokê), que também canta, chamou-me a atenção pela forma diferenciada de se apresentar da maioria, não preocupada em ganhar, mas em… encantar! Por isso, em seu repertório prevalecem músicas animadas que lhe possibilitam um pouco de coreografia. Aliás, é também presença assídua nos bailes da comunidade e participa de um grupo de taikô com igual intensidade.

Mas seu maior prêmio, creio, é que filhos e netos a apoiam nessas atividades e um dos filhos garantiu não ter o pique dela.

Quem tem?!

 

Vinte e quatro horas

É pouco para a guerreira!

Ninguém a segura!

 

SILVIO SANO

SILVIO SANO

é arquiteto, jornalista e escritor.

E-mail: silvio.sano@yahoo.com
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