SUSTENTABILIDADE: Projeto leva engenheiro nikkei a Rio+20

Em sua segunda faculdade, o nikkei Jorge Saito, de 64 anos, é estudante do curso de Comércio Exterior da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Itapetininga no interior paulista, teve o seu projeto “Novo Modal de Transporte de Contêineres por Gravidade pelo Teleférico” aprovado para ser apresentado no “Rio + 20”. O evento mundial que termina hoje (22), no Rio de Janeiro, para discutir medidas ambientais e o desenvolvimento sustentável.

O Trabalho de Conclusão de Curso das faculdades, chamado de TCC pelos alunos, é o projeto final realizado no último ano do curso para avaliar se o estudante está apto ou não para se formar. Para muitos, é um momento de tensão, estresse e muita dor de cabeça. Mas para Saito, o TCC é motivo de muito orgulho.

 

Jorge Saito: Os professores estão me apoiando muito e até fizeram um vaquinha para me ajduar (foto: Luci Judice Yizima)

 

Em entrevista ao Jornal Nippak, revela que apesar de ser estudante, é aposentado e formado em engenharia civil, com pós-graduação na área ambiental. “Sou aposentado da Sabesp, e a Fatec fica a um quarteirão da minha casa e em 2010 teve vestibular para o Curso de Comércio Exterior e estou cursando e adorando, pois o curso me coloca a economia no contexto mundial diante a globalização”, confessa.

Também diz por que escolheu um projeto sustentável. “Trabalhei na Baixada Santista, e presenciava diariamente a movimentação dos caminhões carregados de contêineres descendo a serra em direção ao porto de Santos, e vice versa caminhões carregados de contêineres subindo a serra, a movimentação da importação e exportação. Na época me perguntava, será que deixariam de aprovar um projeto que de certa forma tirariam os caminhões das estradas pelo menos na serra, o Brasil é um país automobilístico praticamente 99% rodoviário. Cursando Comércio Exterior associado à logística me reascendeu a ideia e fiz o TCC com esse tema “Novo modal de transporte de contêineres por teleférico “Cable Car” acho que hoje é viável em face da situação caótica que se encontra a região metropolitana de São Paulo, com horários para caminhões circularem em grandes centros, e sabemos que são eles que movimentam nossa economia”.

 

Idéia é aproveita o uso das energias solar e eólica, que são menos poluentes (foto: Luci Judice Yizima)

Alternativa – O engenheiro explica como funciona o projeto ‘Novo Modal de Transporte de Contêineres por Gravidade pelo Teleférico’ escolhido pela comissão da ONU (Organização das Nações Unidas). “É uma alternativa no transporte de contêineres entre a região de Itapetininga e um porto que precisaria ser construído na região litorânea. Com o uso desse teleférico especial, que usaria da própria lei da física, a cinética e potencial, para promover o transporte, ou seja, enquanto um contêiner desce, a força gerada é usada para subir outro, usando assim pouca energia elétrica” conta.

“Assim, poderíamos aproveitar o uso das energias solar e eólica, que são menos poluentes. Além de consumir pouca energia elétrica, comparado com motores para puxar a carga, a instalação seria menos depredatória que a abertura de novas rodovias ou ferrovias, já que não precisaria desmatar. Sendo necessária apenas à instalação das torres, o que evitaria grandes áreas desmatadas. O custo é muito barato comparando com os estádios que estamos construindo hoje para a Copa do Mundo é equivalente a 1/5 do valor de um deles (teleférico na Serra do Mar com uma extensão de 10 km em linha reta: 100m contêineres subindo e 100 descendo)”, esclarece o aluno.

Na opinião de Saito, a construção de um porto seco na região do Vale do Ribeira, no trecho que fica no topo da serra, conhecida como Serra da Macaca, e um ponto para carga e descarga na região entre Registro e Sete Barras, também no interior paulista. Segundo o estudante, o trecho em linha reta chega a 10 km. Pela rodovia existente (SP-139), segundo ele, é algo em torno de 40 km de extensão. Para a instalação das torres, seria possível usar a própria rodovia, evitando o desmatamento. Com esse sistema proposto por Saito, além de ser um transporte sustentável, desafogaria o tráfego pesado de caminhões usados para o transporte de contêineres na região da grande São Paulo e também no porto de Santos.

O engenheiro conta que a tecnologia já existe. “Tem uma empresa na Alemanha que é muito forte na produção de teleféricos desse tipo”, mas conta que a forma que usará o equipamento é inovador. “Para estar no ‘Rio +20’ tem que ser um projeto sustentável e inovador”, completa. Segundo ele, o objetivo é acrescentar o transporte ferroviário e, futuramente, usar apenas esta segunda opção.

 

Oscar – No teleférico, seriam 200 containers transportados a cada 40 minutos, sendo 100 para descer a serra, enquanto outros 100 sobem. Além de todos os benefícios, o projeto traria desenvolvimento econômico para a região do Vale do Ribeira, região pouco explorada economicamente, e também, benefícios para o sudoeste paulista, pois Itapetininga fica a 165 km da capital, o que desfavorece a região. Ele lembra que o projeto tiraria de circulação apenas caminhões que transportam contêineres, focando assim na importação e exportação, e diminuiria o fluxo de tráfego pesado. O desnível do topo da serra até a região de Registro/Sete Barras, é de aproximadamente 700 metros, informa Saito.

Na faculdade, todos estão felizes por ele. “Os professores estão me apoiando muito e até fizeram uma ‘vaquinha’ para me ajudar”, conta. Jorge Saito diz estar preparado para o evento, que atrai gente de todas as nacionalidades. “Eu falo japonês, mandarim, inglês, francês, espanhol, e claro, o nosso português. Estou muito feliz e realizado, como se estivesse ganho um Oscar”, finaliza.

(Luci Júdice Yizima)

 

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One Comment

  1. O PROJETO DE CONTEINERES POR GRAVIDADE PELO TELEFERICO, DO ENGENHEIRO NIKKEI JORGE SAITO, RESOLVERIA E ACABARIA POR COMPLETO COM O PROBLEMA DE CONGESTIONAMENTO, COM OS CAMINHÕES QUE CARREGAM OS CONTEINERES NA RODOVIA ANCHIETA, SENTIDO SÃO PAULO AO PORTO DE SANTOS E VICE E VERSA

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